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Consórcio para quitar financiamento vale a pena? A conta dos juros que faltam
O consórcio para quitar financiamento vale a pena quando os juros futuros do seu contrato, depois da contemplação, superam o custo do consórcio: a taxa de administração, o eventual seguro e o peso de pagar as duas parcelas até a carta sair. Isso costuma acontecer na primeira metade do financiamento, quando a maior parte dos juros ainda está pela frente. Perto do fim do contrato, a troca raramente compensa.
Neste artigo
Consórcio para quitar financiamento vale a pena? A resposta curta
Depende de um número que quase ninguém conhece de cabeça: quanto de juros ainda falta pagar no seu financiamento. Se for muito, a troca tem espaço para compensar. Se for pouco, o custo do consórcio come a vantagem.
A regra de que a quitação é permitida e como ela funciona está em outro guia. Aqui o assunto é só a conta: o que entra de cada lado, uma tabela para estimar os juros restantes sem planilha e os casos em que a resposta é não.
A lógica da troca em uma frase
Você continua pagando o financiamento e começa a pagar o consórcio. Quando a carta é contemplada, ela quita o saldo do banco, e os juros que viriam depois deixam de existir. Em troca, você pagou o custo do consórcio e passou um período com duas parcelas.
O que você deixa de pagar
Os juros do financiamento entre a data da quitação e o fim do contrato, mais os seguros e as tarifas mensais do banco nesse mesmo período. É esse o ganho possível da troca, e ele depende muito de quando a quitação acontece.
O que você passa a pagar
A taxa de administração sobre a carta, o seguro do consórcio, se você contratar, e a correção da carta pelo INCC, que aumenta as parcelas uma vez por ano. Não há juros no consórcio, mas há custo, e ele precisa entrar inteiro na comparação.
Quanto de juros ainda falta no seu financiamento
A maior parte dos juros de um financiamento imobiliário é paga nos primeiros anos, porque eles incidem sobre o saldo, que começa alto. A tabela abaixo mostra, para um financiamento de 30 anos, quanto dos juros totais ainda está por vir depois de cada período, nos dois sistemas mais comuns.
| Tempo já pago | Juros que faltam no SAC | Saldo no SAC | Juros que faltam na Price | Saldo na Price |
|---|---|---|---|---|
| 5 anos | 69% | 83% | 77% | 96% |
| 10 anos | 45% | 67% | 55% | 90% |
| 15 anos | 25% | 50% | 35% | 81% |
| 20 anos | 11% | 33% | 18% | 65% |
| 25 anos | 3% | 17% | 5% | 40% |
A leitura é direta. Com cinco anos de SAC pagos, quase 70% dos juros do contrato ainda estão pela frente. Com vinte anos, sobram 11%. Na Price, os juros demoram mais a cair e o saldo também, o que costuma deixar mais espaço para a troca no mesmo tempo de contrato.
Como achar o seu número
O seu contrato tem prazo, taxa e sistema próprios, e a tabela é só uma referência. Para o seu caso, peça ao banco o extrato do financiamento com o saldo devedor e a projeção das prestações restantes. A soma das prestações que faltam menos o saldo devedor dá, aproximadamente, os juros e encargos que ainda vão ser pagos.
A fórmula para saber se a troca compensa
Ganho da troca ≈ juros e encargos do banco depois da quitação − custo total do consórcio
Se o resultado for claramente positivo, a troca tem fundamento. Se for perto de zero ou negativo, o melhor é seguir com o financiamento ou amortizar com recurso próprio, que o banco aceita.
O que entra no custo do consórcio
- A taxa de administração total sobre a carta.
- O seguro prestamista, se contratado.
- As parcelas do consórcio pagas antes da contemplação, que viram crédito, mas pesam no caixa.
- Os custos de cartório da troca de credor no imóvel.
O detalhe que muda tudo: a data da quitação
Os juros que você deixa de pagar são os de depois da contemplação, e não os de hoje. Se a carta sair em dois anos, você ainda paga dois anos de juros ao banco. Por isso a conta precisa ser feita em cenários de tempo, e não com uma data só.
O peso das duas parcelas no caixa
As parcelas do consórcio pagas antes da contemplação não são dinheiro perdido: a maior parte delas forma o fundo comum e volta como crédito. Mas, durante a espera, esse dinheiro sai do seu orçamento junto com a prestação do banco. Se para pagar as duas você precisar usar cheque especial ou atrasar outra conta, os juros dessas dívidas entram no custo da troca e podem anular a vantagem. A conta só vale com o orçamento real, e não com o ideal.
Um exemplo passo a passo
Imagine um financiamento de 30 anos no SAC, com cinco anos pagos e saldo devedor de R$ 250 mil. Pela tabela, cerca de 69% dos juros totais ainda estão por vir. Os números a seguir são redondos e servem só para mostrar o raciocínio.
O raciocínio em cinco passos
- Juros que faltam hoje: peça ao banco a projeção; suponha que dê bem mais que o próprio saldo.
- Cenário de contemplação: se a carta sair em dois anos, com sete anos de contrato pagos, cerca de 59% dos juros ainda estariam por vir nessa data.
- Carta necessária: do tamanho do saldo daquela data, que será menor que os R$ 250 mil de hoje.
- Custo do consórcio: a taxa de administração total da carta, o seguro e os registros.
- Comparação: se os juros evitados superam o custo com folga, a troca tem fundamento.
Num caso como esse, os juros que ainda faltam são grandes, e a troca tende a fazer sentido, mesmo com alguns anos de espera. O mesmo raciocínio com vinte anos de contrato pagos chegaria a um resultado oposto.
Repare que o exemplo não termina num valor exato de economia. Isso é de propósito: sem a projeção do seu banco e a simulação oficial da carta, qualquer número seria inventado. O que o exemplo mostra é a ordem das perguntas, que vale para qualquer contrato.
“Não existe resposta pronta para essa pergunta. Existe o extrato do seu banco, a simulação da carta e três cenários de tempo. Com eles, a conta fica clara.”
Tamy de Almeida, representante autorizada do Consórcio Yamaha
Quando compensa e quando não compensa
Tende a compensar
- Financiamento na primeira metade do prazo.
- Taxa de juros do contrato alta.
- Orçamento que aguenta as duas parcelas por alguns anos.
- Dinheiro guardado ou FGTS para dar lance.
Tende a não compensar
- Contrato já na reta final.
- Juros mais pesados já pagos.
- Orçamento sem espaço para duas parcelas.
- Saldo bem maior que a carta possível.
E amortizar no banco, em vez de trocar?
Quem tem dinheiro guardado pode simplesmente amortizar o financiamento, reduzindo o prazo ou a prestação. Muitas vezes é a solução mais barata, porque não há taxa de administração nem espera. A troca pelo consórcio faz mais sentido para quem não tem esse valor hoje e consegue pagar duas parcelas por um tempo. Também é possível combinar as duas coisas: amortizar um pouco no banco agora, o que reduz o saldo, e escolher uma carta menor para quitar o restante depois.
Para o investidor
Quem tem um imóvel financiado e alugado pode usar o aluguel para ajudar nas duas parcelas durante a espera. Depois da quitação, o aluguel passa a cobrir uma parcela sem juros. Para quem pensa em usar a carta para outros fins, como comprar outro imóvel, vale ler o que posso comprar com consórcio de imóvel antes de decidir.
O risco do tempo até a contemplação
Ninguém sabe em que assembleia a carta vai sair. Esse é o ponto que mais pesa na troca, porque cada ano de espera é um ano a mais de juros pagos ao banco e de parcela dupla no seu orçamento.
Como reduzir esse risco
O lance é a ferramenta para encurtar a espera. Quem tem reserva, FGTS ou pretende usar o lance embutido tem mais chance de controlar o calendário, sem nenhuma promessa de data. Faça a conta em pelo menos três cenários: contemplação rápida, média e demorada. Se a troca compensa nos três, a decisão é sólida.
E se eu quiser usar o consórcio antes do financiamento?
Há quem pense no caminho inverso: usar a carta como entrada de um financiamento novo. É outra operação, com outras regras, explicada em posso usar consórcio para dar entrada no financiamento imobiliário.
Como decidir no seu caso
O que levar para a conversa com a Tamy
- Extrato do financiamento: saldo devedor, prazo restante, taxa e sistema de amortização.
- Projeção das prestações: para estimar os juros que faltam.
- Seu limite mensal: quanto as duas parcelas juntas podem somar.
- Recursos para lance: reserva, FGTS ou intenção de usar o embutido.
- Titular do contrato: o financiamento precisa estar no nome de quem vai ter a carta.
Com esses dados, a comparação fica completa. O serviço, com simulação e as regras da operação, está em consórcio para quitar financiamento imobiliário.
Resumo para quem tem pressa
- Compensa se os juros evitados forem maiores que o custo total do consórcio.
- Os juros evitados são os de depois da contemplação, não os de hoje.
- Na primeira metade do financiamento a conta costuma ser favorável.
- Faça a conta em três cenários de tempo.
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Para conferir: as regras do consórcio estão na Lei 11.795/2008 (abre em nova aba); as taxas médias de juros do financiamento imobiliário estão nas estatísticas do Banco Central (abre em nova aba); e os dados do setor de consórcio estão na ABAC (abre em nova aba).
Perguntas frequentes sobre trocar o financiamento pelo consórcio
Consórcio para quitar financiamento vale a pena?
Vale quando os juros que o banco ainda cobraria depois da contemplação são maiores que o custo do consórcio, o que costuma acontecer na primeira metade do financiamento.
Como sei quanto de juros ainda falta no meu financiamento?
Solicite ao banco a projeção das prestações restantes; somando-as e tirando o saldo devedor, você tem uma boa estimativa.
Vou pagar duas parcelas ao mesmo tempo?
Sim, até a contemplação. Esse período precisa caber no orçamento.
É melhor amortizar no banco ou trocar pelo consórcio?
Quem tem dinheiro guardado costuma ganhar mais amortizando. A troca faz sentido para quem não tem esse valor hoje e aguenta as duas parcelas.
O sistema de amortização muda a conta?
Muda. Na Price, os juros e o saldo caem mais devagar que no SAC, o que costuma deixar mais espaço para a troca.



